William Bonner e Fátima Bernardes vão a show de lançamento
William Bonner e Fátima Bernardes foram ao show de lançamento do CD e DVD "Em Tempo de Crise Nasce a Canção", do grupo As Chicas. Além dos apresentadores de "Jornal Nacional", outros famosos também estiveram presentes como Luigi Baricelli, que foi com a mulher, Andréia. A apresentação aconteceu nesta quarta-feira (4), no Oi Casagrande, no Leblon, no Rio de Janeiro.
Ontem (3/11/2009), William Bonner, 45 anos, e Fátima Bernardes, 47, prestigiaram o amigo Edney Silvestre durante o lançamento do livro Se Eu Fechar os Olhos Agora, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, Zona Sul carioca. Ao ver o amigo, o autor pediu para que William abrisse o champanhe em comemoração ao encontro. ''Fátima, cadê sua taça?'', disse Bonner. ''Eu nunca bebo. E vou dirigir'', respondeu a apresentadora. ''Quem vai dirigir sou eu'', esclareceu o marido, que serviu os convidados e sequer experimentou o espumante.
Fátima e William também falaram da amizade com Edney Silvestre e da participação dos dois na finalização do romance Se Eu Fechar os Olhos Agora. “Ficamos muito orgulhosos de ver, por exemplo, a capa do livro antes de ser publicado. ''Teria de ter a metade da sensibilidade dele para passar por esse estresse que é a publicação de um livro, porque é um filho mesmo que está nascendo”, contou Fátima. “Não tenho a menor competência para escrever um romance. O [livro] do Jornal Nacional já foi extremamente desafiador, mesmo eu lidando com temas do meu dia a dia. Imagina criar uma história e submetê-la à crítica, ao público. Tem que ter uma coragem enorme. Não é minha área’’, emendou William.
Fátima Bernardes aproveitou a quinta-feira (29) para fazer compras no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro.
A apresentadora do "Jornal Nacional" caminhava pelas ruas do bairro quando encontrou a ex-atriz Lisandra Souto. Pouco depois, ela entrou em uma loja de cosméticos, onde escolheu alguns produtos.
Simpática, a mulher de William Bonner, que estava acompanhada de uma amiga, chegou a acenar para os paparazzi ao perceber que estava sendo fotografada.
Fátimas Bernardes recebe medalha Santos-Dumont A jornalista Fátima Bernardes, apresentadora do Jornal Nacional, recebeu no último dia 17 a medalha “Mérito Santos-Dumont”. A honraria foi concedida no dia 20 de julho, por ocasião do 136º aniversário de Alberto Santos-Dumont, Patrono da Aeronáutica Brasileira. Porém, por estar viajando na época, a jornalista não pode comparecer à solenidade de entrega. Fátima recebeu a medalha no dia de seu aniversário e afirmou que a honraria possui um significado especial em razão de o seu pai ser militar da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB). Na ocasião do recebimento que, aconteceu na redação do Jornal Nacional, Fátima Bernardes, a jornalista dedicou um autógrafo ao efetivo do Terceiro Comando Aéreo Regional (Comar III), com sede no Rio de Janeiro.
Mulher, mãe, filha, esposa, dona de casa, jornalista, apresentadora, musa... nem é necessário dizer mais nada! Não é por acaso que ela é um exemplo para todas mulheres, afinal, mãe de trigêmeos não deve ser uma tarefa fácil, apresentar um jornal para mais de 40 milhões de pessoas muito menos, e ela faz tudo isso sem nem ao menos desfazer o cabelo!
**Declaração do William para Fátima no site do Faustão: AQUI
Fátima Bernardes e William Bonner levam os filhos ao shopping
Fátima Bernardes e William Bonner tiveram um sábado em família. O casal levou os trigêmeos Vinícius, Beatriz e Laura a um shopping da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
Durante a abertura da 14ª Bienal do Livro no Rio, no final da manhã desta quinta-feira, a organização do evento destacou que aposta na inovação da programação e em uma versão mais pop do evento este ano.
Apresentada pelos jornalistas da TV Globo Fátima Bernardes e Edney Silvestre, a cerimônia de inauguração da grande feira de livros contou com a participação do governador do Estado, Sergio Cabral Filho, do prefeito Eduardo Paes, e da presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Sonia Machado Jardim.
Entrevista de William Bonner para Revista Imprensa
O "Jornal Nacional" aderiu à ideia de que a vida recomeça aos 40 anos. Para comemorar, mudou a bancada, colocou um novo telão para vinhetas, trocou o globo tridimensional do cenário e trouxe alguns apetrechos tecnológicos.
Apesar da roupagem "moderninha" ele tem, no fundo, o mesmo espírito familiar do telejornal nascido em 1º de setembro de 1969. Este foi o ponto em comum destacado tanto pelo antigo (e primeiro) apresentador, Cid Moreira, como pelo atual, William Bonner, que também faz as vezes de editor-chefe do JN.
Ambos fontes da matéria de capa da edição 249 da revista IMPRENSA (setembro/2009), reforçaram a enorme influência que o telejornal representa e representou dentro no cotidiano de diversas gerações de brasileiros, criando um mito televisivo que faz milhões de pessoas responderem ao "boa noite" que, risonho e confidente, é dito há 40 anos do outro lado da bancada.
Na edição impressa de IMPRENSA, além da entrevista de Moreira e Bonner, há exemplos do trabalho diário com as afiliadas, uma análise sobre a influência que o formato trouxe aos outros telejornais de TV aberta, uma pesquisa exclusiva sobre a repercussão que o "JN" e seus concorrentes geraram na mídia impressa em 2009 e textos inéditos de Eugênio Bucci e Laurindo Leal Filho, respectivamente a favor e contra o famoso telejornal, além de depoimentos de jornalistas como Gabriel Priolli e Luiz Gonzaga Mineiro.
Confira abaixo, na íntegra, a entrevista que Bonner concedeu à IMPRENSA:
REVISTA IMPRENSA - Em que circunstâncias você assumiu o "Jornal Nacional"? Em que ano isso aconteceu?
William Bonner - Em 1999, logo depois do trigésimo aniversário do "Jornal Nacional", o então diretor da Central Globo de Jornalismo, Evandro Carlos de Andrade, nomeou o jornalista Mário Marona para chefiar o jornalismo da TV Globo em Brasília. E me pediu que ocupasse a chefia do JN interinamente, até que outro jornalista assumisse o cargo. Acabei sendo efetivado algumas semanas depois, em meados de outubro.
IMPRENSA-Nessa época, quais mudanças implantou no telejornal?
WB - O JN não é um produto subordinado a preferências pessoais de editores. Mudanças não são promovidas de forma autocrática. As modificações que introduzimos paulatinamente no JN foram sempre discutidas com a direção do Jornalismo da Globo. Houve algumas poucas modificações que eu poderia lembrar, de ordem técnica. Notas curtas foram pulverizadas ao longo do jornal em momentos em que o contexto lhes era mais adequado, em vez de serem agrupadas numa única edição em sequência. Assim, além de desobrigar os apresentadores a interromper seu trabalho editorial, na redação do JN, para gravar textos (que passaram a ser lidos ao vivo), essas notas alteraram o ritmo da apresentação do noticiário. E permitiram que o espectador recebesse informações dentro de seus contextos. Isso costuma ajudar a compreensão daquilo que é publicado. Séries especiais de reportagens sobre temas complexos já existiam no JN, mas tornaram-se mais frequentes. Houve também as entrevistas nas bancadas, com personalidades que são notícia, e especialmente com os candidatos a presidente, em 2002. O JN foi o primeiro a adotá-las. A cobertura político-eleitoral se intensificou. Tudo isso, como eu disse antes, em decisões conjuntas.
IMPRENSA -O JN mantém, depois de 40 anos, muito de seu formato original. É, talvez, o único programa que está no ar há tanto tempo sem que seu formato tivesse sido alterado consideravelmente. A que se deve isso?
WB - Discordo. O JN, em 2009, é muito diferente daquele feito em 1969. A começar pela linguagem. Nosso texto, hoje, é muito mais próximo do falar das pessoas do que há 40 anos, quando respeitava um formato mais parecido com o texto dos noticiários de rádio. O JN utiliza participações "ao vivo" de seus repórteres de forma muito mais frequente - e essas participações são, hoje, muito mais uma conversa entre os jornalistas sobre as notícias. Temos também, como disse, entrevistas ao vivo, feitas pelos apresentadores. E fazemos o mesmo quando o entrevistado está em outra cidade, outro país. Além disso, o JN deixa o estúdio para ser apresentado de perto de onde se deram os fatos. Não apenas em tragédias como as mortes na chuva de Blumenau, por exemplo, como a eleição presidencial americana, a morte do Papa, as Copas do Mundo. Visualmente, o formato do JN mudou muitíssimo, também. Deixamos o estúdio asséptico e montamos o cenário do "Jornal Nacional" no ambiente da redação. Uma tendência que a concorrência tenta imitar de forma constrangedora.
IMPRENSA - Quais as características do JN que, ao longo desses anos sob o seu comando, você fez questão de manter?
WB - Não se trata de "fazer questão" de manter. Trata-se de entender que ninguém é mais importante do que o próprio JN. Ele é um patrimônio dos cidadãos brasileiros. É no "Jornal Nacional" que as pessoas buscam informação sempre que algo grandioso acontece. Os números de audiência atestam isso. E o hábito brasileiro de buscar informações no JN deve-se ao fato de as pessoas saberem que podem confiar no nosso trabalho. O compromisso assumido por todos nós é o de mostrar aquilo que de mais importante aconteceu no dia com isenção, correção, pluralidade e clareza. Nosso esforço diário é esse, em respeito ao público e ao nosso compromisso com ele. E esse compromisso nós herdamos de todos os profissionais que nos antecederam nos cargos. Foram muitos, em quarenta anos.
IMPRENSA - Existe hoje, uma grande discussão sobre o perfil do telespectador brasileiro. Na sua opinião, ele realmente mudou?
WB - Não vejo propriamente uma mudança de perfil específica do público telespectador. Há, sim, transformações na sociedade brasileira - e isso é muito bom. Porque, nessas quatro décadas, as taxas de analfabetismo diminuíram, o tempo médio de permanência na escola aumentou, a democracia brasileira renasceu e se consolidou, a nossa economia venceu um desafio que gerações de brasileiros talvez nem acreditassem que um dia seria possível vencer. Somos, hoje, um país com muitos problemas para resolver. A educação ainda é falha, a saúde pública idem, o saneamento básico, a segurança pública. Mas somos um país muito melhor do que o Brasil de 1969 em praticamente todos os quesitos. Assim, não há como imaginar que as pessoas não se modificassem, ao sabor de tanta mudança. Mas isso não é um fenômeno de telespectadores. É um fenômeno de cidadãos.
IMPRENSA - Você percebe haver um declínio - mesmo que sutil - na relevância do veículo televisivo como fonte de informação e entretenimento?
WB - Existe, hoje, uma oferta muito maior de informação do que há 40 anos, mas fundamentalmente por conta da internet. Porque os jornais eram muito fortes, assim como as rádios. Naquela época, a televisão não estava presente em todos os domicílios do Brasil. Só para citar um dado, em 1989, vinte anos atrás, segundo o IBGE, apenas cerca de 70% dos domicílios tinham TV. Há quarenta anos, a penetração era ainda menor, embora não haja dados. Hoje, esse número chega 95%. Portanto, a televisão era forte, mas não tinha a penetração que tem hoje e sofria a concorrência de rádio e jornais. Hoje, a televisão tem penetração enorme e sofre a concorrência da internet, num momento em que jornais impressos e rádios perderam força. Não estou dizendo que são elas por elas, mas é um mito achar que no passado remoto a TV não tinha concorrência. A TV sempre teve concorrência e isso é ótimo. Fontes plurais de informação permitem desenvolver o espírito crítico das pessoas. E obrigam essas mesmas fontes de informação a se qualificar. Porque não adianta ouvir uma informação de alguém em quem não se confie. Por isso, mesmo com a multiplicação de oferta de fontes de notícias, é natural que as pessoas selecionem em quais ela deve confiar. Além do mais, a televisão aberta é gratuita. Num mundo em que informação é um bem ainda mais precioso, no dia-a-dia, a televisão aberta é a possibilidade de se informar, ainda que de maneira menos aprofundada do que na leitura de jornais. Mas nós, no "Jornal Nacional", não temos a menor pretensão de substituir os jornais impressos. O que nós pretendemos, todas as noites, é antecipar, aos brasileiros, aquilo que os principais jornais brasileiros destacarão em suas primeiras páginas no dia seguinte. Se nós fizermos isso - e despertarmos no telespectador o desejo de se aprofundar naqueles assuntos lendo os jornais, por exemplo - teremos cumprido nosso papel. E a TV aberta ainda representa o principal contato da maioria dos brasileiros com informações que tenham origem além dos limites da rua em que moram. Esse papel ainda não mudou. Nos últimos três meses, o share do "Jornal Nacional", nas principais capitais brasileiras, é de 60%, um número altíssimo, como no passado. E na era do controle remoto. Ou seja, se as pessoas nos veem é por escolha delas, porque confiam no que relatamos. Isso é motivo de alegria.
IMPRENSA - As emissoras concorrentes têm copiado o mesmo modelo do JN, inclusive os logos, a bancada, o painel de fundo. Como lidar com jornais tão parecidos?
WB - O JN tem 40 anos de existência e é natural que haja tentativas de copiá-lo - embora algumas me pareçam constrangedoras. Mas é preciso ter consciência de que o sucesso do "Jornal Nacional" é resultado da construção de uma estrutura muito bem montada. Uma rede de emissoras afiliadas, com suas equipes de jornalistas, colocam o JN virtualmente em cada metro quadrado do Brasil. Isso permite que nós cheguemos primeiro ao local onde se deu um fato importante. Nos grandes centros, é questão de minutos. Nos rincões mais isolados da Amazônia, é questão de horas. É mais fácil copiar um cenário e tentar imitar um formato do que montar uma estrutura assim. O JN é produto dessa estrutura - e dos talentos que a Globo conseguiu formar ou arregimentar nesses 40 anos.
IMPRENSA - Na comparação histórica, o JN tem perdido audiência. Os dados que apontam essa queda são significativos para você?
WB - Os números que já dei mostram que a audiência do JN é altíssima. A Direção Geral de Jornalismo e Esportes e a Central Globo de Jornalismo cobram do JN a isenção, a correção, a pluralidade e a clareza do material jornalístico que publicamos. Porque se nós afrouxássemos esses critérios, perderíamos importância. E, com ela, a audiência. O que faz do JN o telejornal de maior audiência do Brasil (e uma das maiores do mundo) é que as pessoas podem não saber o que vão encontrar lá. Mas elas têm certeza daquilo que não vão encontrar de jeito nenhum: sensacionalismo, não verão nenhuma apelação, não serão desrespeitadas, não serão traídas em sua confiança. E quando assuntos de grande relevância e impacto dominam as conversas dos brasileiros, é no JN que eles se ligam, à noite, a despeito de toda a oferta e de toda a concorrência. Acho que nada atesta com mais precisão o valor que o JN tem para o Brasil.
IMPRENSA - Como é trabalhar ao lado de Fátima Bernardes? É claro que vocês já se acostumaram, mas no começo não houve conflitos?
WB - Trabalhar com Fátima é uma honra. Uma profissional que construiu reputação de competência e seriedade numa carreira muito bonita em jornalismo. Não temos nem tivemos conflitos. No início, tínhamos, sim, uma torcida muito grande pelo sucesso do outro. Passados 11 anos de trabalho como colegas no JN, temos, hoje, o entrosamento profissional que caracteriza toda a equipe de editores. Quer dizer: questões não-profissionais ficam em casa.
IMPRENSA - Como é sua rotina como editor do jornal?
WB - Sou pai de três filhos e jornalista. Assim, acordo muito cedo, levo as crianças para a escola, leio os jornais e a internet, faço exercícios e duas vezes por semana comando a reunião matinal do JN. Nos outros 3 dias, isso é tarefa de outros integrantes da equipe: o editor-chefe adjunto Luís Fernando Ávila, o editor de política Vinícius Menezes e a editora de geral Angela Garambone. Na falta de qualquer um de nós (férias, por exemplo), o editor de geral Ricardo Pereira entra no circuito. Mesmo quando não comando a reunião matinal, estou disponível o tempo todo para consultas através de rádio, celular e e-mail. Como, aliás, estão o diretor da CGJ, Ali Kamel, e o Diretor Geral de Jornalismo e Esportes, Carlos Henrique Schroder. Minha presença na redação pode ir das 11h até o fim do JN, ou a partir das 14h da tarde. Às 14h30, temos uma reunião com os editores que acabaram de chegar, em que é apresentado o conteúdo planejado para aquela edição. Depois disso, reunião de pauta: a avaliação de ofertas de reportagens que serão produzidas para edições futuras. Aí vem todo o período de fechamento do JN e a apresentação.
IMPRENSA - O "Jornal Nacional", muitas vezes, é a única fonte de informação da população. Como você lida com a responsabilidade de fechar um telejornal diário que influencia a opinião de milhões de brasileiros?
WB - Com ética e responsabilidade. É a única forma de trabalhar no "Jornal Nacional".
IMPRENSA - Como você acredita que a relação entre telespectador e JN pode evoluir levando em consideração, principalmente, a possibilidade de interação da internet e a chegada da TV Digital?
WB - Já utilizamos a internet como instrumento de interatividade. Recebemos sugestões de reportagens e as executamos. Oferecemos ainda o conteúdo integral do JN a quem visita nossa página, além de conteúdo extra. Nossa página é uma das mais visitadas da Rede Globo.
IMPRENSA - Como é lidar e como você avalia as constantes críticas de que o JN apóia determinados grupos políticos, defende algumas ideias por meio de suas matérias?
WB - As críticas que partem de grupos antagônicos são a prova mais eloquente de nossa equidistância e de nossa isenção. Estranho seria se um produto jornalístico que trata de temas relevantes não motivasse queixas de algum dos lados. Felizmente, as críticas e os elogios nos chegam de todas as direções.
IMPRENSA - Você acredita na imparcialidade no jornalismo?
WB - Sim, sem dúvida nenhuma. E é o que procuramos fazer no jornalismo da Globo. Apresentar os problemas, as opiniões divergentes, e permitir ao público que forme sua própria opinião diante das argumentações dos contrários. Não é nosso papel emitir opinião, mas fornecer informação objetiva para que cada um forme a sua.
IMPRENSA - Você se emocionou ao noticiar a morte de Roberto Marinho. Sua relação com a emissora é muito mais do que profissional?
WB - Sim. Entrei na Globo em 1986, aos 23 anos incompletos. Foi aqui que aprendi telejornalismo. Tenho orgulho de integrar esse time, tenho uma admiração imensa pela responsabilidade social da Globo, pelos princípios que norteiam a empresa e o jornalismo dela. Mas não foi por isso que me emocionei, naquela edição em que tratamos da morte do Dr. Roberto. O que me tocou foi o tom da mensagem dos filhos dele aos brasileiros. Era a renovação de um compromisso com o país e com os cidadãos - que Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho fizeram questão de levar aos brasileiros num dia tão doloroso para eles. Eu li antes, achei que estava mesmo muito emocionante e temi perder o controle. Pedi para gravar aquele texto - e assim foi feito. Só que houve um problema com a "arte" que acompanharia a minha leitura gravada. Aí, o diretor Carlos Schroder me pediu, numa mensagem instantânea, durante a exibição do JN, que lesse o texto ao vivo. E assim foi. Quando eu estava bem perto de terminar a leitura da carta, sem voz embargada, sem tropeços, cheguei a pensar: "Consegui". E pronto. Todo o esforço acabou sendo inútil, porque me desconcentrei e acabei me envolvendo com a parte final do texto de maneira total. Foi isso que aconteceu.
IMPRENSA - Existe interferência editorial da direção na produção do programa?
WB - Existe o respeito a uma linha editorial, como em todo órgão sério de imprensa. E ela é bem simples: cobrir todos os fatos relevantes, com a máxima isenção, com correção e respeitando a pluralidade de idéias. Essa é a linha editorial.
IMPRENSA - O caso das eleições de 1989, no debate entre Collor e Lula, é emblemático e está presente em todas as discussões sobre liberdade de imprensa. Qual sua opinião em relação a esse caso?
WB - O livro que celebrou os 35 anos do JN, em 2004, abordou profundamente esse assunto, mostrando depoimentos de todas as pessoas que se envolveram de alguma forma naquele episódio. Acho que é leitura obrigatória para qualquer pessoa que queira, de fato, entender o que se passou há 20 anos. O livro trouxe uma contribuição enorme para a história - até então eclipsada por teorias conspiratórias. Pessoalmente, acho que o erro do jornalismo da Globo, naquele episódio, foi acreditar que um debate entre candidatos, em sua dinâmica, poderia ser resumido. O aprendizado com 1989 serviu para que, nos debates realizados nas eleições posteriores, não houvesse edições compactas nos nossos telejornais. Mas já que a pergunta toca no assunto, gostaria de observar o seguinte: acho que não devemos jamais relativizar a importância da liberdade de imprensa para a nossa democracia. Utilizar um possível erro da imprensa para levantar obstáculos à sua liberdade é ação obscurantista que deve ser repelida por todos os jornalistas e por toda a sociedade.
Presença bissexta na telinha fora do “Jornal Nacional”, Fátima Bernardes gravou o quadro “Papo X”, do “TV Xuxa”, que vai ao ar dia 19. Durante a entrevista, Xuxa conversou com Fátima sobre sua paixão – a dança. “Fiz alguns clipes para o 'Fantástico' como ‘Pro dia nascer feliz’, do Cazuza”. A apresentadora quis saber porque ela largou o balé e Fátima explicou: “Sou muito perfeccionista. Eu queria ser a melhor bailarina e sabia que não tinha o biotipo para isso”. E ela contou que passou um tempo em Nova York e chegou a danças nas ruas Nova Orleans. A jornalista, é claro, falou sobre o marido, William Bonner. “Ele conta que me paquerava muito antes de eu saber”, disse ela, que tem apenas um sonho: “Ver meus filhos grandes e independentes”. A família, aliás, chamou a atenção, na noite de quarta-feira, durante o lançamento do livro “Jornal Nacional, modo de fazer”, escrito por Bonner. Os fofuchos Vinícius, Beatriz e Laura prestigiaram o pai famoso.
William Bonner e Fátima Bernardes lançam livro do 'Jornal Nacional', no Rio
A rotina de Fátima Bernardes e de Willian Bonner foi mais corrida nesta quarta-feira, 2. Além de apresentar a edição do "Jornal Nacional", o casal de apresentadores foi responsável por lançar o livro comemorativo pelos 40 anos do jornalístico, "Jornal Nacional - Modo de Fazer", na livraria Argumento, no Leblon, Zona Sul do Rio.
“Não se trata de um manual com os critérios que aplicamos. Na verdade, é como se o leitor passasse um dia na redação. Escrevi o livro, mas estou representando uma equipe muito grande”, disse Bonner, que autografou o primeiro exemplar para o reitor da Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro – local em que estudou -, Padre Jesus Hórtal.
Fátima Bernardes aproveitou o evento para mostrar aos três filhos como são as situações nos bastidores das notícias:”Trouxe nossos filhos para que eles pudessem ver como é o trabalho dos pais. Muitas vezes deixamos de fazer coisas juntos por causa de compromissos profissionais. Por isso fizemos questão de traze-los aqui.”
Sobre a publicação assinada por William Bonner, a apresentadora comentou: “Essa é a oportunidade de mostrar o que fazemos de melhor. Trabalhamos em um produto coletivo e esse livro mostra praticamente o passo a passo de como fazemos o jornal”, disse ela, completando que não ajudou em nada no livro e que só fez o prefácio quando já estava tudo pronto.
Bonner abriu mão dos direitos autorais da obra que vai ser doado para a Escola de Comunicação e Artes da universidade de São Paulo: "Não havia razão para esse dinheiro ficar comigo por dois motivos. O primeiro é que o livro é uma obra feita com a ajuda de todos os envolvidos no JN. Depois, acho de fundamental importância os investimetos filantrópicos nas universidades do Brasil. O trabalho vai ficar ainda mais completo quando eu souber que essa verba está sendo bem aplicada", contou o jornalista.
Para a noite de autógrafos foram recebidos da editora cerca de 800 exemplares. Na primeira hora, de acordo com a admistração da livraria, mais de cem livros já aguardavam na imensa fila por uma dedicatória de William Bonner.
Vários jornalistas que já passaram pelo JN foram pessoalmente parabenizar Bonner pela iniciativa. Cid Moreira, que permaneceu no telejornal por vinte e sete anos, ficou emocionado com a publicação: "Todo mundo tem curiosidade de saber como o jornal é produzido, o que acontece nos bastidores e como é o trabalho para diariamente o brasileiro se mantenha bem informado. Sem maiores detalhes, o JN é o melhor do Brasil", disse.
William Bonner lança livro em homenagem ao "Jornal Nacional"
William Bonner participou de noite de autógrafos de seu livro em homenagem ao "Jornal Nacional", no Rio de Janeiro, na noite de quarta-feira (2). O jornalista estava acompanhado da mulher, Fátima Bernardes e dos três filhos, Laura, Beatriz e Vinícius.
Em um lançamento recheado de admiradores e fãs, William conversou com os colegas e depois autografou a obra, que foi escrita por ele.
“Eu sou suspeita para falar do livro, mas gostei bastante. As pessoas vão curtir muito os bastidores, as histórias e as histórias atípicas”, comentou Fátima. Simpática, ela disse que não esteve na produção do livro. “Não participei de nada. Passei a acompanhar o livro quando estava pronto. Nem as minhas fotos no livro eu vi”, relembrou a jornalista que escreveu o prefácio do livro.
Ela ainda explicou o motivo do novo visual. “Cortei na segunda-feira. Toda vez que corto o cabelo, as pessoas falam. Cortei o cabelo, mudamos o cenário e comemoramos ao mesmo tempo os 40 anos do Jornal Nacional. Não posso ficar arrasada. Com um cenário novo, tudo novo, eu tive que dar uma melhorada”, disse aos risos.
Por conta dos horários do jornal, o principal da obra foi feito nos finais de semana. Fátima contou o motivo de ter levado os filhos para a noite de autógrafos. “Eles têm que entender o processo. ‘Mamãe e papai não foram a tal lugar porque estavam com o livro’”, explicou.
William falou sobre a importância do jornal. “O objetivo é mostrar como é feito um jornal que está no ar há 40 anos, desde de 1969. O jornal nacional tem uma equipe muito grande e trabalhamos para cumprir esse compromisso formado, desde quando ele começou, que é levar as notícias com clareza, isenção e verdade. Nós da equipe fomos herdeiros de um processo bem concebido e trabalhamos com respeito”.
Ele ainda detalhou o que o leitor poderá encontrar. “Vai ser muito interessante porque, no livro, as pessoas vão encontrar histórias pitorescas, revelações e os bastidores do jornal, como tudo funciona. O ‘Jornal Nacional’ é um jornal de audiência alta e estável, mas tem fatos que alteram isso, como notícias bombásticas”, afirmou.
O destino da venda do livro foi definida, e o jornalista explicou o motivo de ter aberto mão dos direitos autorais. “Eu quero que esse livro venda muito. Eu abri mão dos direitos por dois motivos. Por ser um trabalho coletivo. Porque só eu receberia o dinheiro se muitas pessoas ajudaram a fazer? E o segundo motivo é que eu acho importante as ações filantrópicas nas universidades do Brasil e, por isso, doarei o que eu ganharia com os direitos autorais para a Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Ficarei muito feliz sabendo que o dinheiro foi para lá”.
Equipe do JN celebra os 40 anos com bolo na redação
Ao longo desta semana, o Jornal Nacional comemora os 40 anos de sua entrada no ar. A segunda-feira foi marcada pela estreia do novo cenário, mais moderno, mais interativo com as reportagens. Mas foi na terça-feira, às 20h, que o principal telejornal do país completou 40 anos. Depois da apresentação do jornal, a equipe reponsável por colocar o JN no ar teve a chance de comemorar, com um bolo especial, dentro da sede da TV Globo Rio, no Jardim Botânico. Pessoas que já fizeram parte da equipe e que ficarão marcadas na história do JN também compareceram.
O encontro contou com Cid Moreira, a diretora Alice Maria, William Bonner, a repórter Sandra Passarinho, o diretor da Central Globo de Jornalismo Ali Kamel ao lado de Fátima Bernardes e com o diretor geral de Jornalismo e Esporte da Globo, Carlos Henrique Schroder.
William Bonner e Fátima Bernardes comemoram ao vivo os 40 anos do JN
Apresentadores receberam Luigi Baricelli no novo cenário do telejornal
Nesta terça-feira, 1°, é dia de festa para o jornalismo da TV Globo: o Jornal Nacional comemora 40 anos! Para comemorar a data histórica, convidamos Cid Moreira, Sandra Annenberg, Heraldo Pereira, Alexandre Garcia, Sérgio Chapelin, entre outros jornalistas que já passaram pela bancada do telejornal.
"Quando me convidaram para comandar o Jornal Nacional, fiquei emocionado", Alexandre lembra Garcia.
Atualmente na bancada do Jornal Hoje, Sandra Annenberg lembra da época em que trabalhou no JN, principalmente quando participou da cobertura dos atentados de 11 de setembro. "Profissionalmente foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira", diz Sandra.
Desde 1996, William Bonner está na bancada do JN. Ele começou ao lado de Lilian Witte Fibe e em 1998 chegou Fátima Bernardes.
O Jornal Nacional foi o primeiro telejornal do país a ser transmitido em rede nacional. O telejornal estreou em 1969 com apresentação de Hilton Gomes e Cid Moreira.
Livro sobre os bastidores do programa
Luigi Baricelli conversou Bonner e Bernardes no estúdio do Jornal Nacional, que ganhou cara nova nesta segunda-feira, 31. "Em qualquer hora do dia me pedem para eu falar o 'boa noite'", revela Bonner.
O apresentador escreveu um livro sobre os bastidores do telejornal, intitulado "Jornal Nacional Modo de Fazer". O livro será lançado nesta quarta-feira, 2, no Rio de Janeiro. "O livro acompanha um dia típico de trabalho, tem histórias pitorescas e situações que a gente viveu", comenta o apresentador.
Frio na barriga Mesmo com a experiência à frente da bancada, Bonner confessa que ainda sente o famoso "frio na barriga". "O Cid Moreira também ficava - ele me disse isso uma vez", explica.
Já Fátima garante que não é bem nervoso o sentimento que ela sente. "Não encaro como nervoso. Fico animada, empolgada, diferente do normal. Mas me sinto bem, pois esse lugar me faz bem."
Além da nova bancada e do novo cenário, Fátima Bernardes também está de visual novo. Está linda. Para mais detalhes, não percam hoje o JN, tudo novo.
**E nesta semana de aniversário de 40 anos do Jornal Nacional, nós vamos ter a cada dia um convidado diferente aqui no nosso estúdio. São repórteres que você conhece há muito tempo e que vão contar ótimas histórias do trabalho deles. O convidado de hoje está na Globo há 30 anos.
Tudo isso e ainda a estreia do nosso cenário novo. É o JN de cara nova na TV às 20h15, no horário de Brasília. (Fátima Bernardes)
A partir de hoje entrevistas ao vivo na bancada do JN
Nesta semana, repórteres mais antigos contarão suas trajetórias na nova bancada. Na semana em que completa 40 anos, o Jornal Nacional ganha novo cenário e uma programação visual que vão surpreender o telespectador. A partir de hoje, até sexta-feira, os repórteres mais antigos do JN se sentarão na nova bancada para contar suas trajetórias no telejornal. Na semana seguinte, de 7 a 11 de setembro, será exibida uma série especial sobre as quatro décadas.
O Jornal Nacional foi ao ar pela primeira vez em 01 de setembro de 1969, com Cid Moreira e Hilton Gomes na apresentação. Naquele momento, o JN deixava sua marca na história da televisão brasileira: foi o primeiro telejornal a ser transmitido simultaneamente para várias cidades do país. Atualmente, cerca de 40 milhões de telespectadores fazem do JN o líder absoluto de audiência em território nacional.
Como é feito o noticiário mais antigo, mais influente e de maior audiência da TV brasileira – que completa 40 anos nesta semana
9h DA NOITE [William Bonner e Fátima Bernardes no estúdio do JN, depois da apresentação do jornal. Seus 33 minutos são vistos por 40 milhões de pessoas]
COMO SE FAZ [A capa do livro de Bonner que será lançado nesta semana. Ele mostra o Jornal Nacional visto por dentro]
NA CORRERIA [Tchao, na foto ao alto, grava no estúdio um texto rabiscado às pressas por Jardim (acima). São comuns acertos de última hora nas notícias]
ANTES DO “BOA NOITE” [Fátima na sessão diária de 40 minutos de escova e maquiagem – e Bonner no espelho de sua sala. Eles seguem a mesma rotina há 11 anos]
Conhece essa música? Conhece. São 8h15 da noite, e 40 milhões de pessoas em todo o Brasil veem surgir na tela da TV os rostos familiares de William Bonner e Fátima Bernardes. Como acontece desde 1o de setembro de 1969, acaba de ter início o Jornal Nacional, o noticiário mais antigo, mais influente e de maior audiência da televisão brasileira.
O programa e sua vinheta inconfundível – um arranjo da canção “The fuzz”, do músico americano Frank DeVol – completam 40 anos nesta semana. Neste período, a música e as feições de Bonner e Fátima, que apresentam o jornal há 11 anos, foram incorporadas à rotina do país. A entrada no ar do Jornal Nacional é um evento tão previsível quanto o pôr do sol em Ipanema – e mais pontual, pois não varia segundo a estação do ano. No interior do número 22 da Rua Von Martius, no bairro carioca do Jardim Botânico, porém, rotina, previsibilidade e mesmo pontualidade são materiais escassos. Ali, no andar térreo de um conjunto de edifícios labirínticos, trabalha-se entre as 7 da manhã e quase 9 da noite para preparar, de segunda-feira a sábado, com a participação de 500 profissionais de emissoras de todos os Estados, os 33 minutos diários do Jornal Nacional. Suas matérias-primas são planejamento, surpresa, urgência e improviso. Além, é claro, da notícia e das imagens.
A corrida para pôr no ar aquilo que Armando Nogueira, o primeiro diretor de Jornalismo da Rede Globo, definiu como o “Boeing” constitui a essência de Jornal Nacional, modo de fazer, livro que será lançado pela Editora Globo nesta semana, no 40o aniversário do JN. Escrito por Bonner, editor-chefe do jornal desde 1999, o livro explica em 247 páginas, na linguagem direta da televisão, como se faz o JN e quais são seus princípios jornalísticos, seus métodos, sua equipe e sua tecnologia.
Não é a primeira vez que se escreve sobre o Jornal Nacional. Há vários livros acadêmicos e jornalísticos que tratam do programa. Em 2004, quando o JN completou 35 anos, a Jorge Zahar Editor lançou Jornal Nacional, a notícia faz história, preparado pelo Memória Globo, departamento que cuida da preservação da história da Rede Globo. A preocupação era registrar a evolução do JN e sua influência na vida brasileira. Agora, é diferente. O livro de Bonner descreve como é o JN na prática. “Aquilo que fazemos aqui todos os dias ainda não havia sido descrito”, diz Bonner. “Há vários livros sobre a história do jornal, mas nenhum sobre como ele é feito. Escrever me permitiu pensar sobre nosso trabalho.”
O livro de Bonner está recheado de histórias dramáticas ou pitorescas sobre o dia a dia do jornal. É farto em explicações sobre a operação e as grandes coberturas. Foi escrito em três meses, ou, nas contas do autor, “11 ou 12 finais de semana afastado dos filhos”. (Bonner é casado com Fátima, que, além de apresentadora, também é editora executiva do JN. O casal tem trigêmeos.) Os direitos do primeiro ano de vendas serão doados ao curso de jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – onde tanto Bonner quanto o autor desta reportagem se formaram, em épocas diferentes.
Aos 46 anos, Bonner é uma figura impressionante. Com 1,87 metro de altura e 94 quilos, ele parece, pessoalmente, muito maior que na televisão. Tem pinta de galã antigo de cinema. A sobriedade que se vê na tela também desaparece no contato direto. Bonner brinca o tempo inteiro. Fala muito, fala alto, demanda atenção. É um sujeito naturalmente gregário e divertido. Sua especialidade são as imitações. Uma de Clodovil – hilária – ficou eternizada no site de vídeos YouTube. Quando imita o presidente Lula no meio de uma conversa, o efeito cômico é devastador. Bonner viveu parte da infância nas imediações da Rua São Jorge, no Tatuapé, bairro de São Paulo conhecido por abrigar o Sport Club Corinthians Paulista. Apesar disso, é são-paulino.
Para entender as outras paixões que movem Bonner, é bom espiar as paredes de sua salinha de 4 metros por 2 metros na redação do JN. Ali há prêmios, fotos da família e da equipe de trabalho. Tudo previsível, exceto três imagens. Uma delas é um fotograma do filme alemão Corra, Lola, corra, que gira em torno de uma entrega que tem de ser feita num tempo exíguo. A outra é uma foto de Bill Murray, ator principal de O feitiço do tempo. É aquele filme em que um sujeito acorda sempre na mesma manhã, prisioneiro de um dia que se repete. Está claro que Bonner é obcecado pelo tempo e por seus limites. A terceira imagem é do filme O mentiroso, de Jim Carrey – a história do advogado que, de uma hora para outra, não consegue mais mentir. A verdade, claro, é o insumo básico do trabalho jornalístico.
Conhecer o JN de perto é uma lição de jornalismo. Na semana passada, ÉPOCA teve acesso aos bastidores que Bonner descreve em seu livro. Conversamos com vários dos profissionais que circulam no amplo salão semi-iluminado onde funciona a redação do jornal, o espaço que aparece ao fundo, nas costas dos apresentadores do JN. Pudemos acompanhar de perto o trabalho de produtores, repórteres e editores envolvidos na corrida para preparar e transmitir o noticiário. Participamos de suas animadas reuniões diárias. Vimos como as reportagens nascem, crescem e – frequentemente – são descartadas. Assistimos, a 4 metros de Bonner e Fátima, à tensa transmissão ao vivo do jornal.
Para quem está acostumado a conviver com o ritmo de uma revista semanal como ÉPOCA, o que mais impressiona no primeiro contato é como Bonner e seus colegas são mestres da concisão e da velocidade. Seu objetivo é resumir diariamente – em pouco mais de 30 minutos líquidos de notícia – o que de mais importante acontece no Brasil e no mundo, usando imagens e a linguagem mais direta possível. Na revista, o trabalho consiste, idealmente, em observar pelo maior tempo possível, conversar com o maior número de pessoas possível e ler o máximo possível sobre o assunto em pauta. Na hora de escrever, calma é fundamental. Este texto, de quase 4 mil palavras, tomou boa parte de três dias para ser concluído. Com esse número de horas e de palavras, Bonner faria mais que três edições do JN.
Visto de dentro, o JN se assemelha a um funil. Passam por ele, todos os dias, centenas de fatos e eventos do mundo inteiro. De tudo, apenas 25 notícias em média chegam aos telespectadores. A operação desse filtro constitui a essência do trabalho do JN. A qualidade da filtragem, aliada à preparação e apresentação cuidadosa daquilo que passa por ela, faz do programa o mais importante formador de opinião do Brasil. Há quatro décadas.
Bonner não decide solitariamente tudo o que vai ou não vai ao ar. Várias vezes ao dia, confabula com seu chefe direto – Ali Kamel, diretor da Central Globo de Jornalismo, que responde por todos os programas jornalísticos da Rede Globo. Kamel, por sua vez, conversa com frequência com o chefe de ambos, o gaúcho Carlos Henrique Schröder, diretor-geral de Jornalismo e Esporte da emissora. Essa é a cadeia de comando.
Ela foi acionada, no dia 20, quinta-feira, quando o escritório de Brasília entrevistou um motorista que dizia ter levado a ex-secretária da Receita Lina Vieira a várias reuniões no Palácio do Planalto. Poderia ou não ser uma evidência contra a ministra Dilma Rousseff (que nega ter se reunido com a então secretária da Receita). s Mas o motorista não queria ser identificado, e suas informações eram genéricas demais, sem datas ou lugares precisos. Pareceu a Bonner estar inseguro do que dizia. Bonner consultou então seus chefes. Eles concluíram, juntos, que era melhor deixar a testemunha relutante fora do JN.
Editar é tomar decisões. No JN, elas começam a ser tomadas às 11 horas da manhã, num encontro conhecido como “reunião da caixa”. Bonner conta em seu livro que o nome vem do tempo em que um aparelho com formato de caixa de sapato ocupava o centro da mesa de reunião. Ele permitia, com um aperto de botão, que se ouvissem as principais emissoras da Globo envolvidas na elaboração do JN. Parece tosco, mas, até a década de 80, quando não havia celulares e um sinal de linha de telefone fixo no Rio de Janeiro podia demorar seis segundos, a tal caixa era essencial para a equipe que fazia o telejornal.
Hoje, a comunicação entre o Rio e as outras praças se faz por videoconferência. Uma TV de tela plana instalada na sala de reuniões do JN mostra os jornalistas de São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Nova York. Eles se juntam aos sete participantes do Rio. Todos veem e ouvem todos os demais – o que nem sempre ajuda a disciplina. Na sexta-feira em que ÉPOCA participou da reunião, Bonner chegou alguns minutos atrasado, mastigando um pão de queijo. Foi saudado pela equipe de São Paulo ao coro de “Uéu, uéu, uéu, o Bonner é da Fiel”. O chefe são-paulino finge estar indignado com a provocação e responde na mesma moeda, imitando um torcedor do “curintcha”. A atmosfera é 100% bom humor carioca.
Depois que cada um apresenta suas sugestões de reportagens para o dia, fica claro que há, naquele momento, duas notícias com potencial de destaque. Uma é o recuo do senador Aloizio Mercadante, que no dia anterior anunciara sua “decisão irrevogável” de deixar a liderança do PT no Senado. Enquanto a reunião se desenrola, Mercadante ocupa a tribuna do Senado para anunciar que mudara de ideia. Ficaria no cargo a pedido do presidente Lula. A informação é recebida pelos jornalistas do JN com um misto de ironia e incredulidade. A segunda notícia que chama a atenção é a morte de um jovem no Hospital de Bonsucesso, na periferia do Rio, em condições quase inacreditáveis: ele sofrera uma torção no pé jogando futebol e terminara morto, com uma infecção generalizada, depois de uma semana de aparente descaso médico. A indignação toma conta da mesa.
“Você percebe o potencial de uma notícia pela reação que ela provoca na reunião”, diz Bonner. Depois da reunião da caixa, ele se senta ao computador de sua sala e coloca, numa espécie de planilha, todas as reportagens que entrarão no Jornal Nacional, na ordem em que elas aparecerão e com o tempo exato que terão de ocupar. Ele confecciona aquilo que no jargão jornalístico é conhecido como “espelho” do jornal. A essa altura do dia, parece mero exercício de ficção. Bonner garante que não. “É intuição”, diz ele. Depois de 11 anos apresentando o JN, ele parece ter incorporado os tempos, os ritmos e os conteúdos do noticiário. “Eu penso em textos de quatro segundos”, afirma. “É quase patológico.” Ao discutir uma reportagem, antevê a sequência de imagens necessárias e o tempo de cada uma delas. Isso permite antecipar, de dia, a duração aproximada do que irá ao ar à noite. Nessa sexta-feira, Bonner escolheu abrir o JN com a morte do rapaz no hospital de Bonsucesso.
Depois que o espelho fica pronto, começa o esforço para transformá-lo em reportagens de televisão. É quando entra em ação a poderosa estrutura de jornalismo da Rede Globo. São 121 emissoras associadas em todo o país, capazes de mobilizar 4.500 profissionais. Ninguém mais dispõe de uma rede de captação dessa envergadura – que se estende para fora do país. A Globo tem sete correspondentes fora do Brasil e mantém escritórios em Nova York, Londres e Washington. Nada disso pertence exclusivamente ao JN, mas tudo isso pode ser – e é – usado pelo maior telejornal da emissora.
O contato entre o JN, as emissoras e os correspondentes é feito pelos produtores de rede, uma equipe de seis jornalistas que trabalham numa salinha ao lado de Bonner, sob a chefia de Cristiana Sousa Cruz. São os produtores que, desde as 7 horas da manhã, vasculham a rede atrás de notícias do dia e de sugestões de reportagens mais amplas. A vocação histórica e natural do JN é colocar no ar as notícias do dia. Mas reportagens de atualidades com assuntos menos urgentes sempre encontram lugar na edição. A produção fornece a base do espelho, que Bonner prepara na hora do almoço, e continua correndo atrás de novidades até o jornal ir ao ar – e depois.
Na sexta-feira, por volta de 1 e meia da tarde, a equipe de produção do Rio de Janeiro despachou para Bonsucesso o repórter Hélter Duarte, de 39 anos, um rosto conhecido dos cariocas como apresentador do noticiário local, o RJ-TV. Ele foi buscar a história do rapaz que teria morrido por falta de atendimento médico depois de uma torção. O hospital no qual seriam feitas as entrevistas está numa área de favelas, onde criminosos às vezes são hostis com a imprensa. Há riscos, mas, depois que as autoridades do Rio passaram a retomar algumas favelas, eles são considerados aceitáveis. “A gente está voltando a esses lugares”, diz Hélter. “As pessoas precisam de nós.”
Por volta das 2 da tarde, o JN que será veiculado às 8h15 ainda não existe. Não há nenhuma reportagem pronta nem material disponível para prepará-lo. Na sala de comunicação conhecida na Globo como ENG (Engineering Network Generation), onde são recebidas as imagens de fora do Rio de Janeiro, não começaram a chegar os vídeos que darão forma à edição do dia. A equipe de editores do JN ainda não tem com que trabalhar.
Apesar da incerteza, a reunião das 3 da tarde, conhecida como reunião do espelho, é surpreendentemente relaxada. Fátima avisa que trouxe bombons para todos. Há 15 pessoas na sala com paredes de vidro. O jornal, finalmente, começa a tomar forma. Além do caso Mercadante, Brasília trará uma entrevista exclusiva com o presidente do Senado, José Sarney, alvejado por novas denúncias. São Paulo oferece uma gravação com o vice-presidente José Alencar: ele sai de mais uma cirurgia no Hospital Sírio-Libanês e canta Ari Barroso ao microfone do repórter. Fica evidente que os jornalistas se comovem com a coragem do vice-presidente. “O velhinho conquistou o país”, diz um deles.
A reunião prossegue. O governo tenta ressuscitar com outro nome o imposto sobre transações financeiras, a CPMF. Bonner pede que o assunto seja apresentado com a notícia de que a arrecadação de impostos vem caindo há nove meses. “As pessoas têm de ter elementos para entender a realidade”, diz ele. Há mais. No Rio Grande do Sul, um morto e dezena de feridos na desocupação de uma fazenda invadida por sem-terra. No interior da Bahia, uma estudante morre baleada durante uma blitz na estrada. Fora do Brasil, dois candidatos se dizem vitoriosos na eleição do Afeganistão. Barack Obama perde popularidade e tira férias – numa ilha, Martha’s Vineyard, onde vivem centenas de brasileiros.
Ao final da reunião, Luiz Fernando Ávila, editor-chefe adjunto do JN, o segundo na hierarquia do jornal, faz as contas e descobre que as reportagens aprovadas somam 29 minutos e 14 segundos. O tempo mínimo do Jornal Nacional, sem contar os intervalos comerciais, é de 31 minutos. No dia anterior, quinta-feira, chegara a 35 minutos e seis segundos. Constatado o buraco, Ávila parece tranquilo. Ele tem 49 anos, está no JN desde 1994 e acostumou-se a ver as contas fechar na última hora. “Sou apaixonado pelo jornalismo de TV”, diz ele. “É outro mundo, o mundo da imagem.” E do imprevisto.
Nesta sexta-feira, o mundo começa a cair por volta das 5 da tarde. O repórter Hélter Duarte voltou da rua com a história do garoto morto. Ela não era o que se imaginara. Parece não ter havido relação entre a torção e a morte posterior. Há uma discussão exaltada no fundo do salão. Bonner decide que a reportagem já não tem força para entrar no JN. Era a abertura do jornal, caiu – e agora é preciso substituí-la. A tensão, finalmente, se materializa. A bonomia dá lugar à rispidez ditada pela urgência. Cogita-se iniciar o telejornal com uma reportagem sobre medicamentos falsos, mas a ideia não resiste.
Em meio à movimentação, Fátima senta-se ao computador e escreve rapidamente dois textos de 30 segundos para as chamadas do Jornal Nacional, que vão ao ar durante as novelas das 6 e das 7. Escreve, sobe meio andar e vai para o estúdio gravá-las. Vê-la sozinha na bancada do JN, calma e segura diante das câmeras, ajuda a entender a expressão “talento natural”. “Quando comecei, era muito dura”, diz ela. “Para relaxar, imaginava que atrás da câmera estava uma pessoa conhecida para quem eu estava falando.” Deu certo. Hoje, além de escrever e apresentar com desenvoltura, Fátima é a terceira na hierarquia do JN, depois de Bonner e Ávila – e continua sendo uma das repórteres mais respeitadas da emissora.
Às 6 da tarde, duas horas e 15 minutos antes de o JN entrar no ar, surge, afinal, uma notícia capaz de abrir o noticiário da noite: a história de um trabalhador preso no Rio de Janeiro havia 20 dias porque o irmão, assaltante condenado, estava usando seus documentos. É uma história de Caim e Abel, capaz de sensibilizar a população que, frequentemente, se encontra espremida entre a polícia e a marginalidade. O repórter Eduardo Tchao entrevistou o inocente na cadeia. Sua gravação termina com a mãe dos rapazes apelando ao irmão foragido para que se entregue. Em lágrimas. É bom. E é tudo o que se tem. O resto precisa ser feito do zero, voando.
Agitado, o editor Carlos Jardim, chefe da redação de Telejornais do Rio, senta-se ao computador e começa a preparar o texto que vai acompanhar e contextualizar as imagens trazidas por Tchao. A seu lado, tenso, o repórter lê as anotações que trouxe da rua num pedaço de papel. O clima é de urgência urgentíssima. A poucos metros dali, nas ilhas de edição, começa a tarefa de selecionar, cortar e ordenar as imagens da reportagem. É um trabalho árduo, meticuloso. Feito contra o relógio, ganha ares de pesadelo: o editor de imagem exerce sua arte cuidadosamente, enquanto Jardim e Tchao perambulam do lado de fora da sala de edição, meio exasperados. Por volta das 19 horas, percebe-se que falta um trecho de voz de Tchao para acompanhar as imagens do prisioneiro. Jardim apoia um pedaço de papel na parede, rabisca o texto necessário, e o repórter sai com ele na mão, correndo atrás de um estúdio de gravação que esteja livre. Ele só vai conseguir depois de 25 minutos de espera. “Estou exausto”, diz Jardim. Ele trabalha há 12 dias consecutivos, por causa de um plantão no fim de semana. “Começar uma edição do zero às 6 da tarde é duro.”
A situação ao redor não é muito melhor. Às 19h50, enquanto Bonner faz o nó da gravata de pé, na porta de sua sala, Ávila e Fátima assistem numa TV antiquada a uma reportagem sobre a conferência organizada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no Rio de Janeiro, a respeito das drogas. Tudo avança bem, até que a ministra do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, aparece dizendo uma frase em juridiquês incompreensível. O vídeo tem de voltar à ilha de edição, para que se encaixe outra frase da ministra. Está quase na hora de o Boeing decolar. A segunda reportagem da noite – a morte misteriosa de uma jovem em Pernambuco – está com problemas. “Derruba, derruba”, grita Bonner. A essa altura, de terno e gravata, ele já está “lá em cima”, no mezanino-estúdio onde o JN é apresentado. Ávila, 4 metros abaixo dele, negocia: “Se não estiver aqui em cinco minutos, eu derrubo”. Na planilha de Ávila, o cenário não parece auspicioso. Das sete reportagens do primeiro bloco do Jornal Nacional, quatro ainda estão incompletas. “É preocupante”, diz, despreocupado, o mineiro de Patrocínio.
Nesse momento, a poucos minutos do início do JN, as atenções se voltam para o estúdio, inevitavelmente. Lá fora, nas mesas dos editores e nas ilhas de edição, as reportagens ainda estão sendo finalizadas. Chegam de Brasília, de Salvador, de Porto Alegre. É no estúdio, diante de três câmeras, sob intensa iluminação, que o dia de trabalho vai triunfar ou naufragar. Fátima parece tranquila, embora seguidos bocejos revelem seu nervosismo. Bonner está visivelmente intranquilo. Ele digita furiosamente, no computador da bancada, alterações de última hora no roteiro do jornal. Fará isso várias vezes, até o fim da transmissão, aproveitando os intervalos em que as câmeras estão desligadas pela entrada das reportagens gravadas ou intervalos comerciais.
Faltam cinco minutos para as 8h15. Começa a gravação da escalada, a lista das manchetes que abre o jornal, a única parte do JN que não é apresentada ao vivo. Com a vinheta do jornal tocando ao fundo, Bonner e Fátima anunciam as principais notícias do dia em frases muito curtas, intercaladas num jogral acelerado. Gravado, já parece um exercício difícil. Ao vivo, seria um salto de trapézio sem rede. O resultado é mais ou menos 30 segundos de jornalismo trepidante, que vão ao ar exatamente às 8h15 da noite. “Quando se faz a escalada ao vivo, é um deus nos acuda”, diz o assistente de estúdio José Assis, de 73 anos, o mais antigo funcionário do JN. Entre outras calamidades, ele viu o apresentador Sérgio Chapelin encerrar o JN antes da hora, por conta própria, transtornado com uma sequência catastrófica de erros no anúncio do assassinato do presidente egípcio Anuar Sadat, em outubro de 1981. “Faço isso há 30 anos, mas ainda fico tenso”, diz Assis. “É ao vivo...”
Enquanto a escalada é transmitida, reina no estúdio um silêncio carregado de expectativa. O sinal “on air”, abaixo das câmeras, está aceso. O silêncio é cortado apenas pelo ruído da copiadora – que imprime roteiros atualizados do jornal o tempo inteiro – e pela voz do veterano Assis. Ele transmite as orientações do diretor de TV, que comanda o espetáculo a partir de uma sala cheia de monitores no térreo, o “switcher”. “Faltam dez segundos”, diz Assis. “Faltam cinco segundos”, diz ele de novo. Finalmente, o momento chega. Acabou a escalada. O Jornal Nacional está no ar, ao vivo para todo o Brasil. Algo como 61% dos televisores ligados do país recebem a mesma imagem.